O retorno histórico de um investimento sempre gera curiosidade entre os investidores, e com os fundos imobiliários não seria diferente. Considerado um investimento de longo prazo, como tem se comportado o grupo de FIIs mais antigos do mercado?
A resposta para esta pergunta – como dizem os jovens – pode ter muitas camadas. Primeiro porque o desempenho, obviamente, varia de acordo com o fundo e, segundo, porque os FIIs “vovôs” estão longe de representar o modelo de fundo imobiliário predominante hoje no mercado.
Um bom exemplo disso é o próprio Memorial Office (FMOF11), que iniciou suas operações no dia 7 de janeiro de 1997. O fundo é dono de um único edifício – homônimo da carteira e localizado em São Paulo (SP) – e tem gestão passiva, ou seja, é responsável apenas pela administração do imóvel.
Na semana passada, o tradicional FII anunciou que negociará o ativo, e consequentemente a liquidação do fundo, pondo fim a uma era no mercado – e a um retorno acumulado desde o início da operação de 74%, de acordo com dados da Economatica.
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O fundo mais antigo do mercado
Em operação desde março de 1995, o Panamby (PABY11) é o FII mais antigo do mercado, de acordo com as informações da Economatica. Segundo os dados da plataforma, historicamente o fundo acumula uma queda de 86%.
A perda acumulada, porém, não é tão assustadora quanto a própria situação do fundo, que registrou, no último trimestre, resultado contábil negativo de R$ 1,566 milhão, conforme aponta o último relatório trimestral divulgado pela gestão.
Aliás, o PABY11 já não divulga mais relatório gerencial – tradicional documento que apresenta, mensalmente, aos investidores os detalhes das operações dos fundos imobiliários. Pelo Informe Mensal, o patrimônio líquido do Panamby hoje está negativo em R$ 23,7 milhões.
Com 502 cotistas, o fundo contabiliza pouco mais de R$ 197 milhões em ativos, considerando imóveis para venda, em construção, e recursos em caixa. Por outro lado, as despesas financeiras somam mais de R$ 220 milhões.
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Confira a lista – e o desempenho – dos FIIs “vovôs”
Outro destaque da lista dos “FIIs vovôs” é o Grand Plaza Shopping (ABCP11), que iniciou operação em março de 1998 e ostenta, segundo cálculos da Economatica, um retorno acumulado de mais de 2.232%.
O fundo é proprietário de 38,96% do edifício comercial Grand Plaza, do Grand Plaza Shopping e do antigo JK Shopping (incorporado pelo Grand Plaza). Todos os imóveis estão situados na cidade de Santo André (SP).
Atualmente, o fundo negocia com um desconto de 33% e pagou, no último dia 7, R$ 0,50 por cota, equivalente a um dividend yield (taxa de retorno com dividendos) de 0,62%. Em 12 meses, a taxa está em 10,39%.
O ABCP11 aparece como o quarto FII mais antigo do mercado, atrás apenas do Opportunity (FTCE11) – cujo desempenho histórico não consta na base da Economatica –, do SCP (SCPF11), que não distribui dividendos desde fevereiro de 2024, e do PABY11. Veja a lista completa:
| Ticker | Início da operação | Retorno histórico (%) |
| PABY11 | 11/03/1995 | -86,35 |
| SCPF11 | 03/01/1997 | 107,07 |
| FTCE11 | 11/03/1998 | – |
| ABCP11 | 11/03/1998 | 2.232,24 |
| FMOF11 | 11/03/1998 | 74,60 |
| FVPQ11 | 11/03/1998 | -8,94 |
| CTXT11 | 11/03/1998 | -72,78 |
| FPAB11 | 30/06/1999 | 500,25 |
| SHPH11 | 21/12/1999 | 901,84 |
| RCRB11 | 01/02/2000 | 806,98 |
| HCRI11 | 03/10/2000 | 1.277,00 |
| FLMA11 | 22/11/2000 | 737,19 |
| TRNT11 | 10/10/2001 | 336,28 |
| EURO11 | 10/12/2002 | 1.972,72 |
| FAMB11 | 17/03/2003 | 1.119,83 |
Fonte: Economatica (14/10/25)
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Heróis da resistência
Além da idade, os fundos mais antigos mantiveram as características da primeira fase do mercado de FIIs, ou seja, gestão passiva, baixa liquidez e portfólios reduzidos – quando não monoativo, como o Pátio Higienópolis (SHPH11), outro destaque da lista.
Mesmo negociando, em média, R$ 27 mil por dia – e com cotas que hoje valem R$ 935 – o fundo, iniciado em outubro de 1999, tem retorno histórico acima de 900%, o que equivale, em média, a 34% ao ano.
“As vendas atingiram patamar de R$ 143 milhões em agosto, 10,2% de alta na comparação anual. No acumulado do ano, as vendas superam a marca de 1 bilhão, marcando alta anual de 8,9%”, destaca relatório gerencial do fundo, dono de 25,7% do Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo (SP).
Apesar do desempenho, o perfil do SHPH11 destoa dos fundos mais modernos do mercado – maiores, multiativos, multiinquilinos e, principalmente, com gestão ativa –, ou seja, aquela que busca cada vez mais a expansão do portfólio e está sempre atenta à possibilidade de ganho de capital com a compra e venda de imóveis.
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